Mas é necessário recomeçar, começar de novo, procurar forças onde elas não parecem existir.
E será que compensa o recomeço? Mesmo quando o recomeço tem sempre um sabor a fim...
Esta é a pergunta que me invade e persegue durante muito do meu tempo.
Agora mesmo estou a recomeçar algo, estarei eu a usar a palavra errada?
Não,quero mesmo recomeçar, melhor dizendo, quero utilizar esta palavra, mas, estranhamente, ou talvez não a palavra fim segue-me também com frequência.
Quando se pensa em recomeçar, estamos a pensar em algo que já fizemos vezes por demais, então, como tudo na vida, recomeçar soa um pouco a repetição.
Jogando com as palavras da mesma forma que a vida joga connosco, toda a repetição tem um fim, e o fim por vezes não tem direito a repetição.
Mas repetir é duro, repetir é recomeçar, e eu não quero recomeçar algo que quero que tenha um fim.
O fim está associado ao escuro, à solidão, ao vazio, tanto cinza que na minha mente parece ter mais cor que o sol.
O fim opõe-se claramente ao recomeço, se eu pudesse escolher, eu não recomeçava eu terminava.
Fim
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